Versões LGBT de Novelas Mexicanas

No embalo da decisão do STF que torna o Brasil um país um pouco mais civilizado e em homenagem à Cidade do México, que já legalizou o casamento gay e nem por isso foi destruída por uma chuva de fogo e enxofre, apresento propostas de sinopses LGBT de algumas das maviosas novelas com as quais o SBT nos entretém.

Mário Mercedes
Mário é um jovem gay meio pintosa e pobre, que precisa trabalhar vendendo bilhetes de loteria pra sustentar a família. Um dia, Mário conhece o milionário Santiago, uma bee idosa hostilizada pela família que o pede em casamento para poder deixar seus parentes escrotos sem nada. Mário topa, e quando Santiago morre, fica como único herdeiro de seus bens. Contudo, o testamento estabelece que Mário deve permitir que a família de Santiago continue morando em sua casa.
Assim, Mário continua sua paixão platônica por Jorge Luís, sobrinho de Santiago e filho da homofóbica Malvina. Jorge Luís foi noivo de uma mulher, que morreu no dia de seu casamento, mas volta e meia faz perguntas *estranhas* para Mário. Ao perceber o interesse de Mário por seu filho, a perversa Malvina enruste sua homofobia e começa a pressionar por um relacionamento dos dois. A partir daí a história segue a trama da novela original.

Ariadna Thalia do Bairro
Ariadna é uma pobre travesti que para sobreviver sem se prostituir trabalha como catadora num lixão e vive junto com sua madrinha, Cacilda. Quando Cacilda morre, o milionário defensor das causas LGBT (porém heterossexual) Fernando de La Vega passa a se encarregar da educação de Ariadna, que assume sua vontade de passar por uma operação de mudança de sexo. A história segue mais ou menos igual à da novela de origem até o momento em que Ariadna Thalia está casada com o filho de seu protetor, Luís Fernando, mas ainda não fez a operação de mudança de sexo.
Porém, perto de fazer a operação de mudança de sexo seu casamento com Luís Fernando está em crise e Ariadna Thalia desaparece. A coisa se desenrola mais ou menos igual ao sumiço da Maria do Bairro, com a diferença de que não há uma criança desaparecida. Aparentemente. Depois de se acertar com o marido e finalmente fazer a operação de mudança de sexo, Ariadna adota uma menina. Muitos anos depois, contudo, ela descobre que durante seu desaparecimento ela engravidou uma mulher, Agripina, que teve seu filho, Nandinho.
A partir daí a coisa se desenrola bem similar à novela mexicana original, mas eu acho que nem preciso adicionar o detalhe de que Soraya Montenegro, a nêmesis de Ariadna Thalia do Bairro, é uma travesti não-operada do mal, né?

Marimário
Não vou demorar com essa. Digamos que Marimário era um garoto rude do litoral que fazia troca-troca com o rico Sérgio Santibañes, o que se manteve da adolescência até eles terem uns 21 anos. Aí o Sérgio se descobriu “hetero” (#ahamclaudiasentala) e deu um pé na bunda do Marimário pra se casar com uma perua qualquer. Pouco tempo depois, Marimário descobre que herdou uma grande fortuna e parte para sua vingança. O cachorro Pulguento a gente troca por um consolo falante, que seria bem mais divertido.

O Usurpador
Carlos Daniel é um sujeito sexualmente indefinido que se casou com uma mulher que deu a ele dois filhos e depois bateu as botas. Vovó Piedade e Adelina mantém há anos um caso lésbico em segredo, por medo de Estéphanie, filha de Adelina adotada pelos Bracho que se converte à Assembléia de Deus e dedica verdadeiro ódio a gays, lésbicas, bissexuais, travestis, pessoas que trepam sem casar, enfim, qualquer um que se divirta. Anyway, ao se tornar viúvo Carlos Daniel resolve assumir seu interesse por homens e termina se casando com o devasso Paolo. Na verdade, Paolo nem é tão ruim assim, mas a bee não fica horas malhando na academia e escolhendo roupas pra ficar fazendo a linha mãe-de-família, não é mesmo? Além do mais, Paolo tem uma queda por sexo grupal que desagrada a seu marido e a todos os Bracho.
No começo de O Usurpador, Paolo descobre no hotel de Cancún onde tinha ido para fugir do marido um jovem camareiro, Paulino, que é idêntico a ele. Depois de tentar sem sucesso obrigar Paulino a participar de uma orgia envolvendo seu amante, dois surfistas e roupas de couro e arreios, Paolo decide usar Paulino para substituí-lo na mansão Bracho enquanto parte para dar uma viagem de volta ao mundo para realizar seu sonho de fazer sexo em todos os continentes. Assim, ele faz uma montagem de Paulino num contexto homossexual, e ameaça dizer a todos que Paulino é uma bichona.
Como Paulino é heterossexual e tem uma noiva desaparecida, a gorda e feia Waldete, a ameaça surte efeito e Paulino aceita usurpar o lugar de Paolo Bracho. Na mansão dos Bracho, ele precisa se esquivar dos avanços sexuais de Carlos Daniel, que já estava numa seca de meses, bem como de seu bissexual cunhado Willy e da penca de amantes de Paolo que aparecem de tempos em tempos. Isso, somado à leitura do picante diário secreto de Paolo Bracho, faz com que Paulino se digladie com desejos ocultos nunca antes expressados e com os sentimentos que Carlos Daniel, marido de seu irmão, despertam nele.
O resto da trama é mais ou menos o mesmo, mas com algumas diferenças interessantes. Paulino realiza que Lizete é uma travesti que nasceu operada, que Carlinhos é um menino sexualmente confuso que precisa brincar mais de médico e de troca-troca e que no fundo a Estéphanie estava precisando mais é de lamber buceta. Também resolve combater o alcoolismo de vovó Piedade estimulado por Paolo e compra vibradores de presente para ela e Adelina, o que ajuda a reaquecer a relação delas. Mais pra frente, quando Paolo volta com a enfermeira Elvira, surge um climão entre ela e a Estéphanie, que começa a questionar os ensinamentos de uma versão mexicana bigoduda plus de Silas Malafaia. Paralelo a isso, Willy começa a fazer michê fora de casa com pessoas de ambos os sexos.
No entanto, o final desta versão é feliz pra (quase) todo mundo. Paolo consegue chegar a um acordo de divórcio amigável com Carlos Daniel, que se torna investidor da produtora de filmes eróticos de Paolo, que estréia com um sucesso bombástico com a série de filmes “A Volta ao Mundo em 80 Picas” estrelada por Paolo. Elvira consegue eventualmente convencer Estéphanie de que a Bíblia não fala nada sobre lamber buceta e esta dá um pé na bunda do michê inútil e vira uma ativista LGBT, namorada da enfermeira. Vovó Piedade e Adelina oficializam sua união civil. Paulino e Carlos Daniel se casam com pompa e circunstância na Catedral Anglicana, tendo Paolo e o amante pintor gostosão como padrinhos. Tempos depois, é feita uma festa para comemorar o sucesso da produtora erótica e da Cerâmica Bracho (que abre uma nova linha de produção de artigos eróticos, como a fleshlight e o consolo baseados no corpo de Paolo) e no momento noturno, adults only, Carlos Daniel consegue ir além do papel usual de ativão e realiza sua fantasia de dar ao mesmo tempo para os irmãos Paulino e Paolo, numa cena de DPA que encerra a novela.

E TODOS VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE

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