“Pense, mas fique quieto”

Num primeiro momento, até pareceu que a reação aos meus textos anteriores foi pequena nas redes sociais, mas mais pra frente fiquei sabendo por conhecidos no Twitter que em um canto ou outro das redes sociais se esboçavam reações de “desagravo” à Vange Leonel (como se ela tivesse sido injustamente agredida em algum dos textos) vindas em geral de amigos pessoais da célebre colunista. Nenhuma delas, que eu saiba, se deu ao trabalho de esboçar uma resposta a algum dos argumentos que expus anteriormente, limitando-se a fazer declarações defendendo a reputação e a “história” em prol da luta pelos direitos LGBTs de Vange. Aliás, a se julgar por alguns, “história” é um pré-requisito para que a pessoa possa até mesmo dar um palpite qualquer sobre o assunto, como se “história” fosse uma coisa pronta e acabada que se guarda debaixo do sovaco ou na estante e não um processo em construção permanente.

Como é de costume, divago. Imaginem, contudo, qual foi minha surpresa ao ser brindado com uma reação semelhante na minha timeline do Facebook, ainda agora. E eu gostaria de dividir esses momentos meus com vocês, mais especificamente o “cala a boca” tão educado que acabei de receber:

Na minha inocência, acreditei que a pessoa publicou esse texto com o objetivo natural de fomentar o debate. A partir daí, coloquei os links para os dois textos que produzi a partir do que pensei sobre as declarações de Vange Leonel e tratei de expor algumas das questões que levantei. Ao que a pessoa, de forma algo impessoal mas certamente polida (termo que acredito se aplicar aos dois lados neste caso) me informou de que não pretendia se engajar numa discussão e posteriormente que seu objetivo era fomentar o pensamento, mas não que este fosse repassado aos demais por via escrita no que a pessoa definiu como “seu” Facebook (imaginem o que Mark Zuckerberg pensaria disso).

Em verdade vos digo: este é um excelente exemplo do tipo de pensamento que permeia os críticos da GROSSERIA dos quais falei anteriormente. O problema não é a “grosseria”, os “maus modos” ou mesmo o abuso do Caps Lock. O problema real é a NÃO-CONCORDÂNCIA. Uma tendência que se percebe não apenas nas redes sociais como também em nossa sociedade é que muitos confundem “liberdade de expressão” com “conformidade de idéias”. E não estou falando da “liberdade de expressão” de comediantes grotescos ou similares.

Estou falando da liberdade de discordar das palavras e posturas de pessoas e demais atores sociais que estejam num pedestal, seja por sua “história” ou seja pelos ideais defendidos ou por sua pureza de “boas intenções” ou o que o valha. É isso, muito mais que as discordâncias internas dos diversos grupos sociais existentes, um dos fatores que mais atravancam as lutas dos movimentos sociais deste país em prol de mais justiça, igualdade e liberdade.

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Comentários

  • André Centeno  On 21 de março de 2012 at 11:43

    Hehe, ele pareceu com alguns dos meus interlocutores. Discordam do que eu digo, mas não argumentam, não embasam a discordância deles. Não apresentam nova solução ou porque de terem aquele posicionamento. Discordam pelo direito de discordar.

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